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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

mensagem medicinais

Mais uma vez, Brasil sofre com a dengue

Em 2011, 0,4% da população já foi contaminada pelo vírus causador da doença. E crescem os casos do tipo 4, para o qual a população não está imunizada
Mais uma vez o Brasil se vê às voltas com uma epidemia de dengue. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 715.600 casos da doença já foram notificados este ano. É uma tragédia que se repete a cada verão, mas que em 2011 ganhou um novo elemento: o vírus da dengue tipo 4 (DEN-4). Ele já representa 4% das contaminações por dengue — em maio, era apenas 2%. A tendência é que continue crescendo e some-se aos tipos já conhecidos pelos brasileiros: os vírus DEN-1, DEN-2 e DEN-3. E, com a falta de políticas públicas que coloquem fim à doença, os brasileiros terão de lidar com um vírus para o qual não estão imunizados.

A falta dessas políticas já produziu 43 mortes só na cidade do Rio de Janeiro e 85 em todo o estado, um número 157% maior em relação ao primeiro semestre de 2010. A epidemia obrigou o prefeito a declarar estado de alerta no município, já que a população não está imune ao tipo 4 da dengue, e ao tipo 1, que esteve ausente dos últimos surtos e reapareceu este ano. A população está suscetível a esse novo tipo do vírus. Há chances não só de uma epidemia, mas também de um número maior de casos graves da doença. E isso acontece por que o sorotipo 4 da dengue é um dos tipos do vírus que não circula no Brasil e, por isso, a população não desenvolveu resistência a ele. Uma pessoa que tenha tido dengue do tipo 1, por exemplo, nunca mais terá a dengue tipo 1. O que pode acontecer é ela pegar dengue por causa de outro sorotipo, como o 2 ou o 3, e agora o 4. Quando isso acontece, a doença tem chance maior de passar para a forma hemorrágica.

Clinicamente, a DEN-4 não é nem mais forte, nem mais fraca que os demais tipos, e possui os mesmos sintomas, profilaxia e tratamentos. A Humanidade em Risco, uma das poucas maneiras de reduzir os riscos eminentes de uma epidemia é eliminar os focos de proliferação. É preciso que os trabalhos para prevenção comecem agora, e não somente quando o verão e a temporada de chuvas começar. Para isso, basta reduzir o número de vetores transmissores, a fêmea do Aedes aegypti, e eliminar os reservatórios de água. Pode parecer uma tarefa fácil, mas não é o que tem sido feito.

Retrocesso - Hoje, 75% dos casos de infecções pelo vírus da dengue se concentram em oito estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas, Ceará, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Por ser um país tropical, o Brasil está sujeito naturalmente à doença. Culpa das chuvas e da temperatura elevada, que são ideais para a proliferação do mosquito. O cenário é agravado ainda pelos aglomerados urbanos, com entulhos, casas abandonadas e milhares de possíveis criadouros de larvas do mosquito. Para sanar o problema, os primeiros passos seriam educar a população e criar um critério mais definido para o diagnóstico da doença. .
Cidades vizinhas e próximas têm registros muito díspares de casos de dengue, o que poderia indicar que a doença não tem sido corretamente diagnosticada. Somos um país sem critérios. O que se precisa é de um centro de diagnósticos que centralize o controle desse tipo de doença, prezando o diagnóstico correto. Algo como o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos Estados Unidos. Um centro ativo na prevenção, que centralize e identifique possíveis focos a partir do cruzamento dos dados coletados no diagnóstico, poderia reduzir o número de novos casos e a incidência da doença, além de evitar epidemias.
Reconhecendo a gravidade da doença, o Conselho Federal de Medicina, no início de agosto, publicou resolução estabelecendo a área de atuação médica voltada às doenças tropicais, como a malária, febre amarela e, claro, a dengue.
Enquanto isso, além da falta de um órgão que centralize os dados sobre a doença, o governo deixa de lado boas iniciativas que mantinha. Na atual gestão, o Ministério da Saúde deixou de avaliar os sistemas de avaliação epidemiológica dos estados, pelo qual atribuía notas para a estrutura de combate às epidemias


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